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| CENA: MOHAMED E IRMÃS, DE MÃOS DADAS, CORRENDO NUM CAMPO FLORIDO |
A censura no país foi atenuada, depois da morte do aiatolá Khomeini. Por meio da Revolução Islâmica, a censura foi instaurada em 1979.
O enredo conta o drama de Mohamed, uma criança de aproximadamente 10 anos, que tem deficiência visual e luta para ser aceito e amado pela família e pelas pessoas no local onde vive, numa região rural, próxima de Teerã.
O menino utiliza os demais sentidos, como a audição e o tato, para se comunicar com as pessoas e a natureza, como, por exemplo, quando ouve o som dos pássaros na praia, julga que pode se comunicar com as aves. Sua atenção auditiva auxilia-o a “enxergar” a natureza tornando-se íntimo dela.
Privado da visão, sua percepção auditiva e tátil é intensificada e Mohamed constrói seu mundo, a partir de sua sensibilidade e, como conseqüência, desenvolve ao máximo seu “olho interior”, compensando assim, o sentido da visão.
A audição e a visão são os nossos sentidos mais importantes. A organização temporal fica no presente, e a experiência é imediata. O som é o canal que nos avisa sobre o perigo. Nos dá a informação do que está além do mundo amplo e àquele que não temos acesso. Construímos um mapa e, através do som, sabemos o que acontece além de nós mesmos.
Mohamed, com sua personalidade carismática, consegue detectar a falsidade das pessoas e encontrar possíveis traidores por meio de seus “ouvidos” infalíveis. O aguçamento de seus sentidos possibilitava-lhe perceber o humor das pessoas e as nuanças mais delicadas da fala, descortinando-se, assim, os estados emocionais alheios.
Depois de passar alguns anos em uma escola para crianças com deficiência visual, finalmente, ele pode voltar para casa. Mas, seu pai demora a ir buscá-lo, fato que o leva a perceber certo sentimento de rejeição paterna.
Seu pai é um viúvo que pretende se casar novamente e teme que a deficiência do filho impeça que a família da noiva o aceite nestas condições. Então, leva o filho para ser aprendiz em uma carpintaria cujo proprietário também é cego. A presença do filho portador da deficiência o envergonha. Tenta por várias vezes eliminar a presença do filho, com o objetivo de resolver “seus problemas”, tratando-o como se ele fosse um estorvo. Hashem é um homem rude, egoísta, preocupado apenas com seus interesses. Ele perdera a esposa há cinco anos. Mas o filme não comenta o motivo da morte.
Mohamed é portador de uma sensibilidade muito desenvolvida e, através dela, tenta desesperadamente ser amado, até que num momento de desespero, ele confessa ao carpinteiro: “Ninguém gosta de mim, só porque sou cego. Nem mesmo a vovó...” Mas, ele se engana, pois a sua avó é uma figura muito especial, ela compensa a ausência de sua mãe, amando-o acima de qualquer coisa. Ela diz ao neto: “ meu filho eu morreria por você”.
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Análise do filme “A Cor do Paraíso” - A questão da deficiência e os aspectos psicossociais na criança / Ana Cândida P. Magalhães / Rosângela D. Canassa
ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO EM IMA - WEB CINEMA E ARTES VISUAIS
EM DESTAQUE:
TRECHO DO FILME. MOHAMED OUVE UM PÁSSARO. COM SUA AUDIÇÃO AGUÇADA, LOCALIZA O FILHOTE ENTRE FOLHAS, CAÍDO NO CHÃO. COLOCA-O NO BOLSO, E COM HABILIDADE, SOBE NUMA ÁRVORE, LOCALIZANDO O NINHO DO QUAL O PÁSSARO CAIU, RECOLOCANDO-O NO LUGAR. SEQUÊNCIA DE EXTREMA SENSIBILIDADE DO AUTOR E EXECUÇÃO DO PEQUENO ATOR, QUE POSSUI DEFICIÊNCIA VISUAL. (4'57'')









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