sábado, 24 de dezembro de 2011

O ANO DE SUAS MELHORES ESCOLHAS






CARTÃO VIRTUAL COM FRASES E IMAGENS
DESCRIÇÃO:
FRASE DE TOPO: QUE EM 2012...AS PESSOAS...
BRINQUEM MAIS (GATO BRINCANDO COM ROLHA)
ABRACEM MAIS (MÃE E FILHOTE DE RINOCERONTE, FILHOTE APOIANDO A CABEÇA SOBRE O CHIFRE  DA MÃE)
ACOLHAM MAIS (GALINHA CHOCANDO UM FILHOTE DE CÃO)
AMEM MAIS (DOIS CARACÓIS, SOBRE FOLHA)
ARRISQUEM MAIS (ESQUILO COMENDO E EQUILIBRANDO-SE ENTRE DOIS GALHOS)
FRASE FINAL:
SEJA ESTE... O ANO DE SUAS MELHORES ESCOLHAS !
http://.artebrasilis.blogspot.com
ABAIXO: DUAS TAÇAS DE CHAMPANHE BRINDAM. O LÍQUIDO FORMA UM CORAÇÃO
LOGOTIPO DO BLOG ARTE BRASILIS, SUA REVISTA CULTURAL NA WEB


domingo, 18 de dezembro de 2011

FIM DE ANO...1007 CAMINHOS

FIM DE ANO... 

FIM DA ATO ?
O BLOG ARTE BRASILIS ENCERRA MAIS ESTE CICLO, INCERTO DO RETORNO.

1007 POSTS, 1007 CAMINHOS PERCORRIDOS. 

MÍSTICOS E CIENTÍFICOS...POÉTICOS E ÁCIDOS...SAGRADOS E PROFANOS...RELEVANTES OU IRREVERENTES.

QUE TENHAM REPRESENTADO PONTOS DE REFLEXÃO, AÇÕES E IDEIAS. 

QUE TENHAM INFLUENCIADO ESCOLHAS, INTENÇÕES E ESPECIALMENTE A SILENCIOSA PERSISTÊNCIA DOS QUE TEIMAM EM FAZER DESTE MUNDO - E DAS RELAÇÕES - ALGO MELHOR...

INFORMAÇÕES CRUZAM TEMPO E ESPAÇO, SEGUNDO A SEGUNDO.
AS QUE FICAM... AS QUE IMPORTAM...ERGUEM CONSTRUÇÕES, DANDO-LHES BASES PARA SOLIDIFICAR.

DESEJO QUE CADA VISITANTE MULTIPLIQUE O QUE AQUI CAPTUROU.

E QUE TENHAM UM NOVO ANO DE PAZ, EM BUSCA DA TAL FELICIDADE.

VERA GUIDI - EDIÇÃO DO BLOG ARTE BRASILIS - 2009-2011


Imagem: passos, em primeiro plano, caminham na direção de uma estrada

...Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.



Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.


Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.


Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito


elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em ????





Descrição: Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Em 2012...Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Imagem: Mão escrevendo com caneta tinteiro sobre papel. Luz sombreada. 
* * * * *

MADRE TERESA DE CALCUTÁ



Madre Teresa de Calcutá peregrinava pelo mundo todo distribuindo amor a cada uma das pessoas necessitadas que encontrasse. 


Com seu jeito simples e cheio de amor, conquistou uma legião de irmãs, suas seguidoras. 


Das muitas histórias que contava, havia uma em que um velho ancião, habitante da Austrália, vivia em estado de extrema miséria e descuido. Ele era muito idoso e sua casa era suja, desarrumada. As pessoas o ignoravam e evitavam chegar perto, justamente pelo seu lastimável estado. 


Foi quando Madre Teresa aproximou-se dele e lhe pediu permissão para arrumar sua casa, limpá-la e fazer a sua cama. 


IMAGEM: LAMPARINA ACESA
Ele disse que estava bem daquela forma e agradeceu. A madre insistiu que ele poderia ficar muito melhor e iniciou a limpeza. Entre os inúmeros objetos empoeirados que encontrou, havia uma velha lamparina, toda suja e enferrujada. Perguntou, então, ao ancião, há quanto tempo ele não acendia a luz. Ele respondeu que não a usava nunca porque ninguém o visitava e por isso não precisava de luz. 


A boa senhora lhe indagou se ele acenderia a lamparina todas as noites se as irmãs passassem a visitá-lo diariamente. Ele, alegremente, respondeu que sim. 


Conta Madre Teresa que dois anos depois, ela já nem se lembrava direito daquele velho ancião quando recebeu a seguinte mensagem: ‘Contem à minha amiga que a luz que ela acendeu em minha vida continua brilhando’.” (Ágape. Pe. Marcelo Rossi. Ed. Globo. pp.65 e 66)



Imagem: Madre Teresa alimenta criança pobre, com prato e colher.

sábado, 17 de dezembro de 2011

CLARISSE LISPECTOR


"Sou composta por urgências:
minhas alegrias são intensas;
minhas tristezas, absolutas.
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos.
Eu não caibo no estreito,
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve,
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte!

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender
não é uma questão de inteligência
e sim de sentir,
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.”

Clarisse Lispector

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

ESTRELAS DA MPB CANTAM O NATAL

Alcione-Noite Feliz (Silent Night) MZA Music
Álbum:"Estrelas do Natal" (2006)





Jorge Vercilo-Natal Branco (White Christmas) MZA Music
Álbum:"Estrelas do Natal" (2006)





Maria Bethânia-"Boas Festas" (Assis Valente) Biscoito Fino
Álbum:"Natal Bem Brasileiro" (2008)





João Bosco-"I'll Be Home For Christmas" Astor Place Records
Álbum:"A Brasilian Christmas" (1996)





Um Natal Brasileiro
Música de Ivan Lins e do goiano Tavinho Daher



O NASCIMENTO DE JESUS - NO CORDEL DE CÉSAR OBEID



Nascimento de Jesus - Ed. Salesiana Autor: César Obeid
Ilustrações: Jô Oliveira

  • ISBN: 978-85-754-7321-4
A linda história do nascimento de Jesus é recontada em versos e rimas do teatro de cordel. É um livro para ler, ouvir, encenar e, principalmente, sentir a beleza de uma das histórias mais encantadoras de todos os tempos.








PÁGINAS DO LIVRO:






.................SOBRE O AUTOR.................


CÉSAR OBEID - EM UM MUNDO DE RIMAS E EXTREMAMENTE MUSICAL, CÉSAR OBEID APOSTA NO CORDEL E NA CULTURA POPULAR - POR LUIZA OLIVA [ IMAGEM DO AUTOR COM UM CÃO ]

Em um mundo de rimas e extremamente musical, César Obeid aposta no cordel e na cultura popular.

Por Luiza Oliva

O escritor e contador de histórias César Obeid tem feito da literatura de cordel e da cultura popular nordestina o foco do seu trabalho. Seu interesse pelo tema surgiu com a leitura de folhetos de cordel da Editora Luzeiro. “Gostava muito dos títulos de astúcia, como os de João Grilo, Pedro Malazarte, Cancão de Fogo, entre outros. Gostava tanto que resolvi estudar mais”, lembra. César, que estudava dramaturgia, começou escrevendo peças na forma de Teatro de Cordel. Mas, ele lembra que o seu maior encanto com a poesia popular nordestina deu-se com os cantadores de viola.
Da paixão pela música e do gosto por fazer versos começaram a surgir os livros infanto-juvenis, onde o cordel dá sempre o tom. Em seu primeiro lançamento, Minhas rimas de cordel (Editora Moderna), César publicou ditados populares, superstições, crendices e adivinhas. A obra ganhou o selo altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil em 2005.
Em seus livros, César também trabalha com temáticas às quais é sensível, como o abandono de animais domésticos (em O Cachorro do menino, Editora Moderna, ilustrações de Avelino Guedes), o aquecimento global e a necessidade de preservar a natureza (em Aquecimento global não dá rima com legal, Editora Moderna, ilustrado por Eduardo Ver) e a valorização da vida, dos animais e da natureza (em Vida rima com cordel, Editora Salesiana, xilogravuras de Eduardo Ver). Ele também é autor de Desafios de Cordel, onde mistura as duas manifestações populares, o cordel e o repente (Editora FTD, com ilustrações de Fernando Vilela), O menino de muitas caras (Editora do Brasil, com Jonas Ribeiro e ilustrações de Andrea Ebert), O Valente Domador (Editora Scipione, ilustrado por Simone Matias) e Rimas Animais (Editora Moderna, com ilustrações de Andréia Vieira).
Muitos de seus livros são ilustrados com a xilogravura – técnica de gravação e impressão ligada à produção de cordéis. Ernesto Bonato fez as xilogravuras para Mitos Brasileiros em Cordel (Editora Salesiana) e Eduardo Ver para João e o Pé de Feijão em Cordel (Editora Mundo Mirim). Mas há livros de César ilustrados com outras técnicas, como Rimas saborosas (Editora Moderna). Nele, a ilustradora Luna Vicente transformou frutas, verduras e legumes com massinha de modelar, criando um contraponto interessante para os versos de cordel em que César descreve os benefícios de uma alimentação saudável para as crianças. Em A História de João Grilo e dos três Irmãos Gigantes (Editora do Brasil), o texto de César ganhou a companhia das inconfundíveis ilustrações de Ricardo Azevedo, também escritor e pesquisador da cultura popular. “Suas pesquisas são referências para quem quer se aprofundar na área”, recomenda César.
Hoje, César tem 16 títulos publicados, alguns com outros gêneros poéticos, teatro e prosa. É o caso de ABC das Rimas (Editora Salesiana), seu último lançamento, onde para cada letra do alfabeto César criou duas quadrinhas. Em Histórias Indianas do Pantchatantra (Editora Moderna), ele reconta algumas milenares histórias originalmente escritas em sânscrito em diversos gêneros, formas e linguagens, como a embolada, internetês, teatro, roteiro de cinema, rap, entrevista, sextilhas de cordel e quintilhas à moda limerique.
César é descendente de sírios. Não tem nada de nordestino, mas seu encantamento com a cultura popular brasileira tem rendido bons frutos. Acompanhe a seguir nossa conversa com o escritor.
  
DIRECIONAL EDUCADOR - Como surgem seus livros? Que tipo de pesquisa você faz antes de escrever?
CÉSAR OBEID - Cada livro é um novo acontecimento em minha vida, pois me entrego profundamente aos temas que me interessam. As ideias surgem depois de muitas pesquisas e leituras. Eu demoro, em média, dois anos para completar o texto de um livro. Antes de entregar para a editora, aguardo até sentir que ele esteja pronto. Neste intervalo, reescrevo o texto dezenas de vezes. É um trabalho muito árduo, mas gratificante quando os jovens leitores se identificam.  

Qual a importância do cordel na escola para a difusão dessa manifestação cultural popular brasileira?
É importante pelo fato de apresentarmos uma manifestação poética originalmente brasileira muito complexa e trabalhada. Trabalhar o cordel em sala de aula possibilita que os alunos escrevam estrofes em diversas modalidades, como sextilhas, oitavas e décimas, aprendam como funciona a metrificação dos versos e procurem palavras que rimem entre si. Tudo isso, unido a muita pesquisa e estudo, amplia o vocabulário dos alunos aproximando-os da poesia.  
Mas tem mais, na sua origem o cordel também foi o jornal do sertanejo. Muitos acontecimentos eram (e ainda são) registrados em versos pelos poetas populares. Acho que o cordel tem a cara do povo brasileiro. 

Acredita que mesmo crianças que não tenham conhecimento algum do cordel, nem relação familiar com esse tipo de texto, podem se interessar pelo estilo?
Minha historia é um exemplo disso. Nunca ouvi cordéis e cantorias quando criança. Mas, após conhecer o cordel e o repente de viola, fiquei fascinado por todo esse universo. Aprofundei os estudos, convivi com poetas e aprendi a fazer versos. Hoje ensino quem queira aprender em oficinas e cursos, além de ter publicado vários livros escritos com versos de cordel. Tenho muito orgulho em dizer que meus professores foram os poetas populares. 
Qual criança ou jovem não gosta de poesia bem feita e que lhes toca?  A maioria, certo? Mas o cordel vai além da poesia, é uma manifestação cultural feita pelo povo nordestino. E é muito bem feita. Isso, a meu ver, deve ser mostrado aos alunos, independente da sua origem. Ter este tipo de separatismo no Brasil não faz o menor sentido. Aqui vivemos, essencialmente, uma mistura de povos, raças, religiões e, consequentemente, culturas. Não faria sentido privar um estudante de conhecer qualquer signo cultural, de qualquer parte do mundo. Se houvesse algum problema, nós brasileiros não deveríamos estudar Shakespeare, o que seria um problema imenso, não?  

O professor pode estimular a produção de cordel nos alunos a partir da leitura de livros com esse estilo?
Pode sim. Acho que só a partir da leitura de bons livros e folhetos escritos em versos de cordel o professor pode iniciar o trabalho em sala de aula. As pesquisas na internet também podem ajudar, embora ainda existam muitos sites que trazem informações desatualizadas e, muitas vezes, equivocadas a respeito do tema. É preciso ter cuidado.  

Como vê as adaptações de clássicos da literatura para o cordel?
São importantes e uma ótima forma de apresentação desta cultura. Eu mesmo tenho dois livros adaptados, João e o Pé de Feijão, recontado do folclore inglês, e O Patinho Feio, recontado da obra de Andersen. Não podemos esquecer que as adaptações de clássicos por parte dos cordelistas não são nenhuma novidade. Desde o início do cordel no Brasil os poetas recontam em versos antigas histórias que emocionam pessoas ao redor do mundo. Várias histórias de João Grilo e Pedro Malazarte, a história da Princesa do Reino da Pedra Fina, Coco Verde e Melancia são exemplos de ótimas adaptações para o cordel. 

O que recomenda para os professores que querem começar a trabalhar com cordel na escola?
Deixar de lado o preconceito que muitas vezes temos em relação às manifestações de culturas populares em geral. Muitas manifestações que vêm das camadas sociais menos favorecidas são muito boas e devem ser mostradas. 
Pendurar folhetos em barbantes e fazer capas em xilogravuras é só uma parcela mínima deste riquíssimo universo. É preciso entender que o poeta popular está inserido nesta sociedade atual e também acompanha as mudanças oferecidas por ela. Escutar CDs de cantadores de viola sempre traz fantásticas experiências. 
E, principalmente, o professor deve saber ao menos escrever uma sextilha rimada e metrificada. Só depois que dominar esta técnica de estruturação de versos, ele poderá passá-la para os seus alunos que, com certeza, vão se encantar com a nossa poesia popular.

Contatos com César Obeid: www.teatrodecordel.com.br 
Matéria publicada na Revista Direcional Educador  - Edição 73 - fevereiro/11 

O ENIGMA DA ESTRELA DE BELÉM - DOCUMENTÁRIO


IMAGEM EM PRETO E BRANCO, TRES REIS MAGOS E ESTRELA DE BELÉM - DESENHO



O ENIGMA DA ESTRELA DE BELÉM

Alinhamento de planetas, um cometa, uma explosão de estrelas, o desaparecimento de um planeta atrás da Lua… Estas são algumas das hipóteses que tentaram explicar a existência da famosa e enigmática Estrela de Belém. Os escassos dados escritos dos quais se dispõe são referências bíblicas relacionadas com a estrela que guiou os Reis Magos do Oriente até Belém, o lugar onde tinha nascido Jesus, o novo rei dos Judeus. O que há de verdade e o que há de lenda por trás deste peculiar acontecimento? O que foi realmente que viram no céu os Magos do Oriente? Há um significado religioso por trás deste corpo celeste ou simplesmente foi um facto astronómico sem conotação alguma? Este magnífico documentário que o Odisseia lhes apresenta reúne a valiosa e relevante opinião de astrónomos, cientistas e estudiosos das sagradas escrituras cujas teorias nos trarão interessantes respostas às incontáveis incógnitas que se escondem por trás da Estrela de Belém. Uma combinação de astrologia, astronomia, filosofia e ciência que nos levará a realizar uma apaixonante viagem a Belém, Babilónia, às catacumbas de Roma ou ao Museu Britânico, entre outros lugares, para descobrir a verdade que se esconde por trás de uma da estrelas mais célebres da história da humanidade. [http://pt.garbaligion.com]





O Enigma da Estrela de Belém (Canal Odisseia) - 1/4


URL: http://youtu.be/xztg_hd6ZP0


[ NARRAÇÃO PT - PORTUGAL ]

A ESTRELA DE BELÉM - CRENÇA OU FENÔMENO ?



A estrela de Belém

Viaje no tempo e descubra detalhes sobre os fenômenos que iluminaram os céus do hemisfério norte à época do nascimento de Jesus

MARCELO GLEISER - REVISTA GALILEU


Poucos símbolos são tão evocativos quanto a Estrela de Belém. Todo presépio com a cena da Natividade mostra os Reis Magos, vindos do leste, guiados pela estrela cujo brilho dominava os céus, adornando a noite com o augúrio de um bom presságio, o nascimento de Jesus. Já bem antes dessa época, os céus representavam a escrita dos deuses. Para os babilônios, que inventaram a astrologia, a posição relativa dos planetas e estrelas era carregada de significado, determinando o futuro de um rei ou a fertilidade das colheitas vindouras. Para os chineses, cometas eram um sinal de que algo de terrível iria acontecer. Sem compreender o aparecimento imprevisível de luminárias celestes, as civilizações antigas atribuíam a elas mensagens divinas, boas e más.
O que sabemos da Estrela de Belém? Segundo o Evangelho de São Mateus, a melhor pista que temos, deduzimos que deve ter sido um objeto celeste novo, já que serviu para guiar os Reis Magos do leste. A "estrela" apareceu duas vezes: primeiro, quando os reis tiveram uma audiência com Herodes em Jerusalém; depois, ela "pairou" sobre Belém. Mateus não diz que a estrela era particularmente brilhante, e Herodes não a viu, pois perguntou aos reis quando ela surgiu.
Temos, claro, que supor que a "estrela" de fato existiu e que não era uma aparição sobrenatural. Nesse caso, a questão que vários astrônomos e historiadores da ciência vêm se perguntando há anos é: que tipo de fenômeno astronômico poderia ter causado a aparição celeste?
Para obtermos uma resposta, temos que datar o nascimento de Jesus. Isso é um tanto complicado, pois não existe um registro definitivo. O período mais aceito pelos historiadores é entre os anos 8 e 1 a.C. - ou seja, Jesus provavelmente nasceu antes de Cristo. Mesmo esse intervalo é ainda muito longo. Afinal, coisas interessantes ocorrem nos céus todos os anos. Fontes mais recentes localizam o nascimento em torno de 3 a.C. Quais os candidatos astronômicos da época para a Estrela de Belém?
Se supormos que o evento foi luminoso o suficiente para ser visto em outros países do hemisfério norte, podemos descartar a possibilidade de que a estrela era um cometa ou uma explosão de supernova. Ambos os eventos teriam sido registrados por astrônomos em outras partes do mundo, especialmente na China, onde essas coisas eram levadas a sério. Ademais, cometas eram considerados um mau presságio. Se tivesse sido uma supernova, poderíamos ver seus vestígios até hoje. Por exemplo, a Nebulosa do Caranguejo corresponde aos restos de uma supernova que explodiu no ano 1054 e que foi devidamente registrada por astrônomos chineses e árabes.
Outra possibilidade sugerida é uma chuva de meteoros ou mesmo um meteoro de órbita irregular. A probabilidade, porém, é muito pequena, pois meteoros são vistos por pouco tempo, e a "estrela" pairou nos céus por um período relativamente longo.
Que possibilidade resta, então? Se olharmos para o céu em torno de 3 a.C. - e isso é possível hoje com computadores que recriam exatamente a posição dos planetas e estrelas em qualquer momento do passado -, encontramos um candidato para o evento: uma conjunção planetária especialmente brilhante. Conjunções ocorrem quando vemos dois ou mais planetas ocuparem o mesmo ponto no céu. Na verdade, estão muito distantes, mas, vistos da Terra, parecem se sobrepor. No ano 3 a.C., ocorreram nada menos do que nove conjunções. Mas, no dia 12 de agosto, ocorreu uma conjunção dos planetas Vênus e Júpiter na constelação do Leão, que, além de muito luminosa, tinha um forte significado astrológico. E devemos lembrar que os "reis" eram, muito provavelmente, astrólogos. Para os babilônios, Vênus era Ishtar, a deusa da fertilidade, e Júpiter, o planeta-rei. O casamento celeste deu origem ao nascimento do menino-deus.
Não podemos comprovar, ao menos sem mais dados históricos, se foi esse o evento astronômico que transformou-se na Estrela de Belém. De qualquer forma, é importante meditar sobre a relação entre a Bíblia e a História sob a luz da ciência.
Marcelo Gleiser, de 48 anos, é professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, e autor de cinco livros sobre ciência e conhecimento

*

ESTRELA DE ORIGAMI - SUGESTÃO DE ENFEITE DE NATAL !!!


UMA ESTRELA ANUNCIA...É NATAL !!!




 

 






Fontes:
http://origami.oschene.com/cp/10%20Pointed%20Twist%20Star%20SCP.pdf
http://origami.oschene.com/archives/2006/09/03/10-pointed-twist-star/

PRESÉPIO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Presépio

Carlos Drummond de Andrade

Dasdores (assim se chamavam as moças daquele tempo) sentia-se dividida entre a Missa do Galo e o presépio. Se fosse à igreja, o presépio não ficaria armado antes de meia-noite e, se se dedicasse ao segundo, não veria o namorado.

É difícil ver namorado na rua, pois moça não deve sair de casa, salvo para rezar ou visitar parentes. Festas são raras. O cinema ainda não foi inventado, ou, se o foi, não chegou a esta nossa cidade, que é antes uma fazenda crescida. Cabras passeiam nas ruas, um cincerro tilinta: é a tropa. E viúvas espiam de janelas, que se diriam jaulas.

Dasdores e suas numerosas obrigações: cuidar dos irmãos, velar pelos doces de calda, pelas conservas, manejar agulha e bilro, escrever as cartas de todos. Os pais exigem-lhe o máximo, não porque a casa seja pobre, mas porque o primeiro mandamento da educação feminina é: trabalharás dia e noite. Se não trabalhar sempre, se não ocupar todos os minutos, quem sabe de que será capaz a mulher? Quem pode vigiar sonhos de moça? Eles são confusos e perigosos. Portanto, é impedir que se formem. A total ocupação varre o espírito. Dasdores nunca tem tempo para nada. Seu nome, alegre à força de repetido, ressoa pela casa toda. "Dasdores, as dálias já foram regadas hoje?" "Você viu, Dasdores, quem deixou o diabo desse gato furtar a carne?" "Ah, Dasdores, meu bem, prega esse botão para sua mãezinha”. Dasdores multiplica-se, corre, delibera e providencia mil coisas. Mas é um engano supor que se deixou aprisionar por obrigações enfadonhas. Em seu coração ela voa para o sobrado da outra rua, em que, fumando ou alisando o cabelo com brilhantina, está Abelardo.

Das mil maneiras de amar, ó pais, a secreta é a mais ardilosa, e eis a que ocorre na espécie. Dasdores sente-se livre em meio às tarefas, e até mesmo extrai delas algum prazer. (Dir-se-ia que as mulheres foram feitas para o trabalho... Alguma coisa mais do que resignação sustenta as donas-de-casa.) Dasdores sabe combinar o movimento dos braços com a atividade interior — é uma conspiradora — e sempre acha folga para pensar em Abelardo. Esta véspera de Natal, porém, veio encontrá-la completamente desprevenida. O presépio está por armar, a noite caminha, lenta como costuma fazê-lo no interior, mas Dasdores é íntima do relógio grande da sala de jantar, que não perdoa, e mesmo no mais calmo povoado o tempo dá um salto repentino, desafia o incauto: "Agarra-me!" Sucede que ninguém mais, salvo esta moça, pode dispor o presépio, arte comunicada por uma tia já morta. E só Dasdores conhece o lugar de cada peça, determinado há quase dois mil anos, porque cada bicho, cada musgo tem seu papel no nascimento do Menino, e ai do presépio que cede a novidades.

As caixas estão depositadas no chão ou sobre a mesa, e desembrulhá-las é a primeira satisfação entre as que estão infusas na prática ritual da armação do presépio. Todos os irmãos querem colaborar, mas antes atrapalham, e Dasdores prefere ver-se morta a ceder-lhes a responsabilidade plena da direção. Jamais lhes será dado tocar, por exemplo, no Menino Jesus, na Virgem e em São José. Nos pastores, sim, e nas grutas subsidiárias. O melhor seria que não amolassem, e Dasdores passaria o dia inteiro compondo sozinha a paisagem de água e pedras, relva, cães e pinheiros, que há de circundar a manjedoura. Nem todos os animais estão perfeitos; este carneirinho tem uma perna quebrada, que se poderia consertar, mas parece a Dasdores que, assim mutilado e dolorido, o Menino deve querer-lhe mais. Os camelos, bastante miúdos, não guardam proporção com os cameleiros que os tangem; mas são presente da tia morta, e participam da natureza dos animais domésticos, a qual por sua vez participa obscuramente da natureza da família. Através de um sentimento nebuloso, afigura-se-lhe que tudo é uma coisa só, e não há limites para o humano. Dasdores passa os dedos, com ternura, pelos camelinhos; sente neles a macieza da mão de Abelardo.

Alguém bate palmas na escada; ô de casa! amigas que vêm combinar a hora de ir para a igreja. Entram e acham o presépio desarranjado, na sala em desordem. Esta visita come mais tempo, matéria preciosa ("Agarra-me! Agarra-me!"). Quando alguém dispõe apenas de uns poucos minutos para fazer algo de muito importante e que exige não somente largo espaço de tempo mas também uma calma dominadora — algo de muito importante e que não pode absolutamente ser adiado - se esse alguém é nervoso, sua vontade se concentra, numa excitação aguda, e o trabalho começa a surgir, perfeito, de circunstâncias adversas. Dasdores não pertence a essa raça torturada e criadora; figura no ramo também delicado, mas impotente, dos fantasistas. Vão-se as amigas, para voltar duas horas depois, e Dasdores, interrogando o relógio, nele vê apenas o rosto de Abelardo, como também percebe esse rosto de bigode, e a cabeleira lustrosa, e os olhos acesos, dissimulados nas ramagens do papel da parede, e um pouco por toda parte.

A mão continua tocando maquinalmente nas figuras do presépio dispondo-as onde convém. Nada fará com que erre; do passado a tia repete sua lição profunda. Entretanto, o prazer de distribuir as figuras, de fixar a estrela, de espalhar no lago de vidro os patinhos de celulóide, está alterado, ou subtraí-se. Dasdores não o saboreia por inteiro. Ou nele se insinuou o prazer da missa? Ou o medo de que o primeiro, prolongando-se, viesse a impedir o segundo? Ou um sentimento de culpa, ao misturar o sagrado ao profano, dando, talvez, preferência a este último, pois no fundo da caminha de palha suas mãos acariciavam o Menino, mas o que a pele queria sentir sentia, Deus me perdoe — era um calor humano, já sabeis de quem.

Aqui desejaria, porque o mundo é cruel e as histórias também costumam sê-lo, acelerar o ritmo da narrativa, prover Dasdores com os muitos braços de que ela carece para cumprir com sua obrigação, vestir-se violentamente, sair com as amigas — depressa, depressa, ir correndo ladeira acima, encontrar a igreja vazia, o adro já quase deserto, e nenhum Abelardo. Mas seria preciso atribuir-lhe, não braços e pernas suplementares, e sim outra natureza, diferente da que lhe coube, e é pura placidez. Correi, sôfregos, correi ladeira acima, e chegai sempre ou muito tarde ou muito cedo, mas continuai a correr, a matar-vos, sem perspectiva de paz ou conciliação. Não assim os serenos, aqueles que, mesmo sensuais, se policiam. O dono desta noite, depois do Menino, é o relógio, e este vai mastigando seus minutos, seus cinco minutos, seus quinze minutos. Se nos esquecermos dele, talvez pule meia hora, como um prestidigitador furta um ovo, mas, se nos pusermos a contemplá-lo, os números gelam, o ponteiro imobiliza-se, a vida parou rigorosamente. Saber que a vida parou seria reconfortante para Dasdores, que assim lograria folga para localizar condignamente os três reis na estrada, levantar os muros de Belém. Começa a fazê-lo, e o tempo dispara de novo. "Agarra-me! Agarra-me!" Nas cabeças que espiam pela porta entreaberta, no estouvamento dos irmãos, que querem se debruçar sobre o caminho de areia antes que essa esteja espalhada, na muda interrogação da mãe, no sentimento de que a vida é variada demais para caber em instantes tão curtos, no calor que começa a fazer apesar das janelas escancaradas — há uma previsão de malogro iminente. Pronto, este ano não haverá Natal. Nem namorado. E a noite se fundirá num largo pranto sobre o travesseiro.

Mas Dasdores continua, calma e preocupada, cismarenta e repartida, juntando na imaginação os dois deuses, colocando os pastores na posição devida e peculiar à adoração, decifrando os olhos de Abelardo, as mãos de Abelardo, o mistério prestigioso do ser de Abelardo, a auréola que os caminhantes descobriram em torno dos cabelos macios de Abelardo, a pele morena de Jesus, e aquele cigarro — quem botou! — ardendo na areia do presépio, e que Abelardo fumava na outra rua.




O texto acima, considerado um dos cem melhores contos brasileiros do século por Ítalo Moriconi, foi extraído do livro "Contos de Aprendiz", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963, pág. 51.

Conheça o autor e sua obra visitando "Biografias".




Carlos Drummond
de Andrade