terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MÚSICA CAIPIRA PERDE UM DE SEUS MAIORES REPRESENTANTES

............informou o blog DR. ZEM

IMAGEM: PENA BRANCA

O ADEUS A PENA BRANCA

Morreu na noite desta segunda-feira, 08-02-2010, aos 70 anos, no Hospital São Luiz Gonzaga, em São Paulo, o cantor sertanejo José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, vitimado por insuficiência respiratória. O cantor ficou famoso no Brasil se apresentando em dupla com seu irmão mais novo, Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, falecido em 1999. Pena Branca nasceu em Igarapava, em 1939.

A dupla iniciou a carreira em 1958, apresentando-se em uma rádio de Uberlândia, cidade onde moraram por um bom tempo. Em 1968, como tantos, seguiram para São Paulo para tentar a vida artística.

Legítima representante da verdadeira música caipira, a dupla aos poucos foi ganhando a atenção do público e crítica, chegando a ganhar o prêmio Sharp de melhor dupla e melhor música em 1992. Sem abrir mão do seu estilo, Pena Branca e Xavantinho ganhou respeito de seus pares e gravou com grandes nomes da Música Popular Brasileira, como: Milton Nascimento, Chico Buarque, Renato Teixeira, Fagner, Almir Sater, dentre outros.

Com a morte de Xavantinho, Pena Branca seguiu carreira solo, recebendo o Grammy Latino de Melhor Disco Sertanejo com o álbum “Semente Caipira”, gravado com o grupo Viola de Nóis. Em 2008, gravou “Cantar Caipira”, seu último trabalho.

No seu velório, ocorrido hoje (09/02), os fãs e amigos cantaram Cálix Bento, um grande sucesso da dupla.


Trechos do programa Ensaio com Pena Branca e Xavantinho gravado em 1991 na TV Cultura exibidos no Radiola.

RELEMBRANDO ALGUNS SUCESSOS:





Bela interpretação de linda canção de Lupicínio Rodrigues na voz da maior dupla caipira do Brasil: Pena Branca e Xavantinho.

Felicidade

Composição: Lupicínio Rodrigues

Felicidade foi-se embora
E a saudade no meu peito
Ainda mora e é por isso que eu gosto
Lá de fora, onde sei que a falsidade
Não vigora
A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo
Quando começo a cantar
E o pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa
Quando começo a pensar

*

LEIA MAIS SOBRE A DUPLA PENA BRANCA E XAVANTINHO AQUI

ARTE BRASILEIRA PARA TODOS

CACAU BRASIL LANÇA EXPOSIÇÃO
OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS
(CARTAZ ABAIXO)


A arte brasileira para todos

A exposição OMISTÉRIOOTEMPOEMPOESIAS, do artista Cacau Brasil, na Passarela da Estação da Luz, apresenta sua versão acessível às pessoas com deficiência. Uma ação da ONG Mais Diferenças e da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

IMAGEM: ARTE: CÍRCULO AZUL COM IMPRESÃO DE MÃOS E LETRAS

Com entrada gratuita, a mostra tem a marca da democratização do acesso, podendo ser absorvida por todo tipo de público, por incorporar os princípios do Desenho Universal * (conceito que define produtos e ambientes que possam ser usados por todos), garantindo o acesso físico e o de informação às pessoas com algum tipo de deficiência.

IMAGEM: PERSONAGEM COM VESTE NEGRA E MÁSCARA COLORIDA
O espaço da exposição é um corredor fechado de 34m de extensão por 4m de largura e 2,40m de altura montado numa das passarelas da Estação da Luz. Em um ambiente com iluminação especial tudo leva à assimilação da pintura, das impressões poéticas e das experimentações de Cacau Brasil. O objetivo é apresentar ao visitante o lirismo do cotidiano, através de diversas manifestações artísticas: pintura, poesia, música, vídeo-arte e performances cênico-musicais.

Entre 18 e 28 de fevereiro, as pessoas com deficiência poderão ter acesso à exposição sem qualquer restrição:

Intérpretes de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) – A interpretação para o público surdo será feita durante todo o horário da exposição;

Braille e Letras Ampliadas – Os textos das obras expostas e o Programa da Exposição estarão impressos em Braille para pessoas cegas e com letras ampliadas para pessoas com baixa visão;

Planos e Serviços de Acessibilidade – Este material conterá todas as informações sobre acessibilidade do local, do entorno e da exposição. Terão versões impressas em tinta, Braille e letra ampliada;

Audiodescrição – As pessoas com deficiência visual receberão, na entrada da exposição, equipamentos para acompanharem as performances teatrais, o vídeo e as obras que fazem parte da instalação por meio de audiodescrição. A audiodescrição contará com um depoimento do artista Cacau Brasil, com informações disparadoras e instigantes sobre o processo criativo de cada obra, o que dará à pessoa um entendimento maior da exposição – uma inovação nesse tipo de exposição, uma vez que não se tem notícia de artistas fazendo audiodescrição da sua própria obra;

Piso tátil – Instalação de piso tátil para demarcar um circuito acessível às pessoas com deficiência visual;

Experiência sensorial – vendas estarão disponíveis para as pessoas que desejarem visitar a exposição com os olhos cobertos, utilizando-se dos recursos acima descritos, para vivenciar e sentir a exposição com a exploração dos outros sentidos.

Sobre a Audiodescrição

A audiodescrição consiste em descrever posicionamentos, cenários, personagens, formas, cores, situações e detalhes para que as pessoas com deficiência visual possam ter acesso ao o que ocorre na cena.

IMAGEM: ARTE - ESCADARIA AZUL, PAREDES VERMELHAS, PORTA AO FUNDO



Cacau Brasil
É compositor, cantor e artista visual e escritor. Apaixonado pela arte popular brasileira e suas diversas manifestações, leva estas características para a sua produção cultural.

Serviço
Local: Passarela da Estação da Luz (Praça da Luz, s/no – Luz – Junto ao Museu da Língua Portuguesa – São Paulo) Telefone: (11)3326-0775

Versão Acessível às Pessoas com Deficiência: de 18 a 28 de fevereiro – de terça a domingo, das 10h às 18h

Horários das performances:
Quarta a sexta-feira, às 11h e às 13h
Sábados e domingos, às 11h, 12h, 14 e 15h

Entrada franca

Fontes de informação:
Blog Sentidos
Quatro Elementos Comunicação & Mkt Cultural
CACAU BRASIL


* Baixe o Livro Desenho Universal -
Um conceito para todos (PDF). Clique aqui.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ROM HOUBEN


“Eu não sou um vegetal!”

Por 20 anos, todos achavam que Houben estava em coma. Mas ele via, ouvia e sentia tudo sem poder se comunicar - Peter Moon - revista ÉPOCA (PRIMEIRO PLANO - 26/11/2009) - LINK COM A MATÉRIA



Houben e a mãe, Fina, na clínica de Zolder, na Bélgica, onde vive desde 1983.

Ele “ressuscitou” em 2006. Eram 2 da manhã de domingo, 20 de novembro de 1983. O telefone tocou. Fina Nicolaes pulou da cama e correu para atender. Era aquela ligação que nenhuma mãe deseja receber. Seu filho Houben, então com 20 anos, havia sofrido um acidente de automóvel, depois de uma balada de sábado à noite. Ele e quatro amigos foram hospitalizados. Os amigos se recuperaram. Rom Houben não teve a mesma sorte. Com graves lesões cerebrais, mergulhou num estado de coma profundo. A vida do jovem entusiasta de artes marciais e estudante do 2o ano da Escola Superior de Comércio, da Universidade de Liège, se resumia a silêncio e imobilidade.

Após meses de exames neurológicos, os pais e a irmã receberam o diagnóstico definitivo: ele não havia morrido, mas era como se não estivesse mais vivo. Todas as suas funções cerebrais relacionadas à consciência haviam cessado. Todos os músculos estavam paralisados. Suas pálpebras se fixaram na posição semicerrada. Houben não reagia a nenhum som. Ele havia mergulhado em um estado vegetativo irreversível, embora suas funções vitais estivessem inalteradas. Respirava sem a ajuda de aparelhos e recebia alimentação intravenosa. Houben foi internado numa clínica em Zolder, sua cidade natal, no interior da Bélgica, de onde nunca mais saiu. Jamais esteve sozinho. A mãe, Fina, uma enfermeira aposentada de 73 anos, visitou-o todos os dias, cuidou dele, falou com ele. Nunca duvidou de que ele a compreendesse.

Em 21 de novembro, 26 anos após o acidente, a revista alemã Der Spiegel anunciou que Houben não estava em coma – e talvez nunca tenha estado. Ele é tão consciente e alerta como você e eu. Enxerga e escuta tudo a sua volta. Mas é, há 9.497 dias, prisioneiro do próprio corpo. “Não sou um vegetal!”, digitou no teclado com o único dedo que consegue – se não mover – ao menos estremecer. É assim que a fonoaudióloga Linda Wouters sabe qual letra Houben quer escrever. Linda o treina no uso do teclado desde 2006, quando uma nova técnica de tomografia criada pelo neurologista Steven Laureys, do hospital da Universidade de Liège, provou que a atividade cerebral do rapaz é “quase normal”.

Em algum momento entre 1983 e 2006, Houben recobrou a consciência. “Eu fui testemunha do meu próprio sofrimento, desde quando os médicos e as enfermeiras ainda tentavam falar comigo até o dia em que desistiram”, diz ele. Ano após ano, limitou-se a observar as enfermeiras e ouvir suas conversas, incapaz de fazê-las saber que ele estava lá, consciente. “Eu gritava, mas ninguém me ouvia.” O pior dia, afirma, foi aquele em que a mãe contou da morte do pai: “Eu queria chorar, queria reconfortá-la. Meu corpo ficou imóvel”.

No começo, Houben sentia raiva. Aos poucos, esse sentimento foi substituído pela frustração e, por fim, pela resignação. “Todo o tempo eu sonhava com uma vida melhor. Graças à meditação, buscava refúgio em minhas fantasias. Frustração é uma palavra branda para exprimir o que sentia”, diz ele, com auxílio da fonoaudióloga. “Jamais esquecerei o dia em que, finalmente, perceberam que eu estava lá. Foi como nascer de novo.” Isso foi em 2006, mas o mundo só ficou sabendo na semana passada.

‘‘Eu fui testemunha do meu próprio sofrimento. Gritava, e ninguém me ouvia’’ ROM HOUBEN, paralisado desde 1983

Houben passou os últimos dias recebendo jornalistas de toda a Europa. O esforço o deixou cansado, e feliz. Ele permanece paralisado, seu estado é irreversível, mas a resignação deu lugar à esperança na vida. Ele agora tem projetos. Diz, por exemplo, que vai escrever um livro sobre sua vida. Enquanto isso, lê romances e se delicia com as canções de Edith Piaf e de Jacques Brel.

Imagem à esquerda:
Cena do filme O escafandro e a borboleta, que trata de um caso de síndrome de encarceramento

Houben é vítima da síndrome do encarceramento.
Nela, os pacientes ficam total ou parcialmente conscientes, aprisionados num corpo todo, ou quase todo, paralisado. O caso mais famoso foi o do jornalista parisiense Jean-Dominique Bauby (1952-1997). Diretor da revista Elle, em 1995 ele sofreu um acidente vascular cerebral e entrou em coma. Acordou 20 dias depois. A única parte do corpo sobre a qual Bauby ainda mantinha domínio era a pálpebra esquerda. Graças a ela, piscando, Bauby se comunicava com o mundo. Foi piscando que escolheu, uma a uma, as letras de cada palavra de sua pungente autobiografia, O escafandro e a borboleta (1997). Ele morreu dez dias após a publicação do livro, que virou filme em 2007.

Bauby podia piscar. Dezenas de milhares de pacientes em coma em todo o mundo não podem. Para eles, a nova técnica que resgatou Houben para o convívio humano traz esperança. O neurologista Laureys usou-a para detectar certos graus de consciência em outros pacientes, sem revelar quantos. A dificuldade é distinguir a divisão entre o estado vegetativo e uma consciência mínima. “É muito difícil saber a diferença”, diz Laureys, que analisa 50 pacientes por ano. “Até agora não apareceu um outro caso como o de Houben.” Laureys escreveu num artigo científico publicado em julho, na revista BMC Neurology, que no mínimo 10% dos comatosos podem ter recebido diagnósticos errados. Isso significa que pode haver milhares de Houbens pelo mundo afora.

CINEMATECA ARTEBRASILIS RECOMENDA:



Trailer de O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

A extraordinária história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista ELLE que, aos 43 anos, sofreu um derrame que paralisou todo seu corpo, com exceção do seu olho esquerdo. Preso em um corpo sem movimento, mas completamente lúcido, ele se adapta para contar sua incrível história de vida.

VENCEDOR de 2 prêmios no Festival de CANNES 2007: Julian Schnabel, Melhor DIRETOR - Janusz Kaminski, Technical Grand Prize

Vencedor Globo de Ouro 2008: Melhor Diretor (Julian Schnabel) e Melhor Filme Estrangeiro
Com Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Anne Consigny
Direção Julian Schnabel
Gênero: Drama - Duração 112 min

SINOPSE:

O Escafandro e a Borboleta [Le Scaphandre et le papillon] (2007).
Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.


VEJA O FILME PELO YOUTUBE (LEGENDADO):









CAPA DO LIVRO NA EDIÇÃO BRASILEIRA

LIVRO: O Escafandro E A Borboleta
Autor: BAUBY, JEAN-DOMINIQUE

Tradutor: BENEDETTI, IVONE CASTILHO
Editora: WMF MARTINS FONTES

CÉLULAS-TRONCO: BRASIL GANHA PRIMEIRO LABORATÓRIO DE ESTUDOS

Brasil ganha primeiro laboratório voltado para estudo de células-tronco embrionárias


IMAGEM: CÉLULA-TRONCO


O primeiro Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias do Brasil - LaNCE, inaugurado no final do ano passado, começa 2010 em boa forma. Ele já está funcionando com a promessa de trazer inovações para o campo de estudos da terapia celular. Contando com os equipamentos mais modernos do mundo e criado com apoio de R$ 446 mil da FINEP, o LaNCE fica no Rio de Janeiro e é uma parceria da USP e da UFRJ.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro abriga parte do laboratório em um complexo de 250 metros quadrados que fica dentro do Hospital Universitário e apresenta uma infraestrutura de ponta. A outra parte fica sediada no Instituto de Biociências da USP. O LaNCE foi uma das propostas selecionadas pelo edital voltado para a criação de Centros de Tecnologia Celular, lançado em conjunto pela FINEP e pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde em 2008, com R$11 milhões em recursos não reembolsáveis (que não precisam ser devolvidos). Foram aprovados oito projetos no total, em cinco estados.

A principal função do laboratório é produzir células-tronco humanas pluripotentes, ou seja, aquelas que possam se transformar em qualquer tecido do corpo humano. Serão produzidos dois tipos: as embrionárias, originadas de embriões humanos congelados que seriam descartados pelas clínicas de reprodução, e as pluripotentes induzidas, obtidas a partir de amostras de outras células comuns que recebem material genético de embriões humanos. Segundo o coordenador do laboratório, Stevens Kastrup Rehen, a expectativa para esse ano é muito boa e as pesquisas caminham bem, mas é necessário esperar seu tempo de maturação.

O LaNCE tem como objetivo distribuir essa produção a grupos brasileiros interessados em realizar pesquisas relacionadas ao tema, suprindo assim a demanda por essas células, que normalmente são importadas a altos custos. A parceria feita entre o Instituto de Biociências da USP e a UFRJ permite a divisão de tarefas do LaNCE. “Enquanto o laboratório na USP é responsável pelo isolamento da massa interna dos embriões, na UFRJ é feita a produção em grande escala para sua distribuição”, afirma Stevens.

Além disso, o laboratório deve oferecer cursos para habilitar pesquisadores a trabalhar com terapia celular. O primeiro deve acontecer no segundo semestre de 2010 e terá como objetivo ensinar técnicas de manipulação e cultivo de células-tronco embrionárias pluripotentes.


Polêmica

Vale lembrar que a utilização de células-tronco em estudos foi permitida pela Lei de Biossegurança, de 24 de março de 2005. Aprovada pelo Senado, ela permite que células-tronco de embriões obtidos por fertilização in vitro e congelados há mais de três anos possam ser utilizadas em pesquisas mediante autorização dos pais. A validade desses embriões acaba ao final de quatro anos de congelamento, quando então são descartados.
Mesmo trabalhando com um assunto polêmico, Stevens afirma que as pesquisas do LaNCE vêm sendo bem recebidas. “Nós recebemos mensagens de pacientes que querem saber mais sobre os estudos, e nós vamos informando e educando quanto ao trabalho que estamos fazendo aqui”, diz o coordenador.

(1/2/2010)

Fonte:   FINEP     

Centro de Vida Independente de Belo Horizonte - CVI-BH

Endereço para correspondência:
Caixa Postal 3030 CEP 30130-972 Funcionários
Belo Horizonte - MG
Contato: (31) 9985-1136

SITE: http://vidaindependentebh.blogspot.com
(atualização diária)



*

Médica tira dúvidas dos internautas sobre células-tronco

Antonio Farinaci (UOL NOTÍCIAS) bate-papo com a médica Lygia Veiga Pereira, chefe do Laboratório de Genética Molecular do Instituto de Biociências da USP - 28/02/2008



PAJÉ SAPAIM: A CURA XAMÂNICA


Pajé Sapaim: O Mensageiro do Tempo




O filme documentário acompanha a vida de Pajé Sapaim Kamayurá considerado um dos maiores pajés brasileiros.


FOTO - RITUAL DE CURA

Iniciado na arte da cura xamânica quando menino, na aldeia Kamayurá no Alto Xingu (MT), o pajé ganhou repercussão nacional e internacional em 1986 quando foi convidado pelo presidente Sarney para curar o biólogo Augusto Ruschi - membro da academia brasileira de ciências - que havia sido envenado por um sapo de veneno letal. Com a fama o pajé é chamado para curar pacientes nas cidades de: Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro além de países como Estados Unidos, Suiça, Austrália e Marrocos.


FOTO PAJÉ SAPAIM

“O Mensageiro do tempo: Pajé Sapaim” é um filme sobre este riquíssimo diálogo de culturas e conhecimentos médicos trazendo informações históricas sobre o Parque Nacional do Xingu (MT) e sobre a arte de ser pajé.


(47'45'') - TV CULTURA


ENTREVISTA COM PAJÉ SAPAIM PARA LÉO ARTÉSE (XAMANISMO.COM)
LEIA AQUI



LEIA TAMBÉM AQUI NO ARTE BRASILIS:

KAKÁ WERÁ, UM GUERREIRO SEM ARMAS
 

ESPECIAL LYGIA FAGUNDES TELLES


Lygia por Lygia

(assinatura da autora)

A TV Cultura em co-produção com o SescTV exibiu o especial Lygia por Lygia (reprisou ontem, 07 de fevereiro de 2010) . O programa aproxima o público de uma das mais importantes autoras contemporâneas brasileiras, Lygia Fagundes Telles, e conta com direção do jornalista e presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, texto da escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral, e participação dos atores Luciano Chirolli, Eva Wilma e Regina Braga.

Produzido em HD, com cenário virtual – composto por banners com imagens e cenas da vida de Lygia – Eva e Regina entram em ação representando fases distintas da vida da escritora. Elas dão também voz à mãe de Lygia, Maria do Rosário. Já Chirolli lembra duas figuras masculinas na vida da escritora: Durval, o pai, e Alfredo Mesquita, fundador da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do grupo amador em que Lygia atuou. O programa mescla as interpretações dos atores com depoimentos exclusivos de Lygia.

O texto de Maria Adelaide já havia sido utilizado em uma leitura dramática em evento que homenageou a escritora no Sesc Vila Mariana em abril deste ano. E foi lá que Markun teve a ideia de produzir Lygia por Lygia. “Depois de assistir àquela leitura, achei que se encaixaria perfeitamente em um programa de TV”, diz Markun. “Nós trouxemos tudo o que foi feito no palco para o estúdio, os mesmos atores inclusive. Tudo num cenário virtual”, complementa.

O especial é o primeiro episódio da série Autor por Autor, produção que cita autores brasileiros e será produzida pela TV Cultura e o SescTV. Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc SP, vê o trabalho como uma inovação, pois apresenta uma abordagem inédita em televisão sobre literatura. "Cada programa apresentará simultaneamente o criador e sua obra. Mostra como o autor, sua vida, seus anseios, suas crenças estão representadas na obra. Os programas encantam pela poética e pelo desvendamento da obra, transformando o autor, em seu próprio personagem". Para Danilo, a série reflete também uma característica muito particular da cultura brasileira, que é a de ouvir histórias: "A oralidade é o principal recurso cênico nesses programas".

Dama da literatura – Formada em educação física, advogada, contista e romancista, Lygia Fagundes Telles nasceu na capital paulista, no bairro de Santa Cecília, em 19 de abril de 1923. Em 1938 publicou o seu primeiro livro de contos, Porão e sobrado.

Foi eleita em 24 de outubro de 1985 para a cadeira número 16 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Pedro Calmon e tornando-se a terceira mulher a tomar posse nessa academia.

Engajada politicamente, a escritora sempre se posicionou diante das questões políticas e sociais, tema de numerosos artigos, ensaios e trabalhos acadêmicos. Lygia configurou-se como um grande sucesso de público e de crítica, com obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco e adaptadas no Brasil para o cinema, teatro e TV.

O romance As Meninas (1973) foi o que arrebatou as principais premiações literárias no País. Entre elas, o Prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras; o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; e o de melhor ficção, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

Em 2004, Lygia foi eleita pela revista Forbes Brasil a mulher mais influente do País na área literária. Em 2005, recebeu o Prêmio Camões, o mais importante prêmio da literatura em língua portuguesa.



"Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor, mas uma certa dose de cólera, fervor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas." Lygia Fagundes Telles (imagem ao lado)
 
 

OUÇA O VÍDEO DO ESPECIAL CULTURA
 "LYGIA POR LYGIA"
NA ÍNTEGRA (47'46'')
Especial Cultura - logotipo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

GRAFITE PAULISTANO


A ARTE DE RUA NA CIDADE DE SÃO PAULO

(ESTES ABAIXO ESTÃO NA PRAÇA FLORENCE NIGHTINGALE, BAIRRO: JARDIM DA GLÓRIA)

TRÊS FIGURAS PINTADAS NO MURO

UMA FIGURA COM UMA FLOR

UMA FIGURA E A MENSAGEM ' NATUREZA'


Grafites paulistanos

Daniel Piza

(...) As ruas da cidade nunca estiveram tão cheias de arte. A arte de rua - expressão que vem substituindo "grafite" - está em alta e não são poucos os visitantes que têm reparado na variedade de cores e formas que ocupou avenidas como Paulista, Consolação e Augusta, bairros como Vila Madalena, Glicério e Liberdade, paredões e viadutos em todas as regiões de São Paulo.

Desde os anos 1980 a cidade não vivia tal efervescência na pintura. Assim como aquela geração, os artistas de hoje fazem uma arte colorida, gráfica e quase sempre figurativa. Mas há duas diferenças importantes, além de ser feita ao ar livre: ela usa muitas técnicas - como o spray e o stencil - para deixar sua mensagem instantânea em superfícies ásperas e irregulares, não raro correndo o risco de repressão policial; e só agora começa a ganhar a atenção das galerias comerciais, especialmente as internacionais.

Também vêm dos anos 80 os precursores dessa arte que nasceu com o grafite, como Alex Vallauri e Carlos Matuck, mas a força da atual é muito maior. É a verdadeira expressão de uma ou duas gerações que buscaram meios alternativos numa época em que bienais e museus se dedicaram à arte conceitual, caracterizada por instalações que variam entre o impenetrável e o lúdico - a exemplo do que se vê mais uma vez na Bienal. Os artistas de rua em São Paulo estão preocupados com a comunicação, e cada vez mais o público, sobretudo o jovem, se encanta por seus trabalhos e se familiariza com seus nomes.

Assinaturas como Osgemeos, Nunca, Nina, Highraff, Onesto, Speto, Titi Freak, Bugre, Zezão, Boleta, Fefê, Akemi, Não, Kboco, Tinho, Milo Tchais, Paulo Ito, Vitché, Ciro e Derf - para citar 20 dos mais conhecidos - correm de boca em boca pela cidade e já foram parar em museus como o Tate, na Inglaterra, e galerias como a Jonathan LeVine, em Nova York, para citar apenas dois eventos recentes. Pinturas em tela de alguns desses nomes, como Osgemeos (galeria Fortes Vilaça) e Nina (galeria Leme), já chegam a custar acima de US$ 10 mil; outros já fazem sob encomenda obras para muros, paredes e portas de residências e estabelecimentos.

(...) O marchand Baixo Ribeiro, dono da galeria Choque Cultural, diz que o pacto entre pichadores e grafiteiros ainda está valendo. "Acho que foi só uma questão de momento. Não faz o menor sentido criar conflito e os pichadores sabem disso." De fato, os grafiteiros já começaram a fazer novos trabalhos nos mesmos lugares nos últimos dias. E não foram apenas os pichadores que prejudicaram alguns dos mais belos murais da cidade. A Prefeitura, há alguns meses (MATÉRIA DE 2008) , inadvertidamente apagou um dos dois paredões da ligação leste-oeste onde estavam grandes figuras feitas por Osgemeos.

A Choque Cultural foi criada em 2004 por Ribeiro e sua mulher, Mariana Martins, filha do artista plástico Aldemir Martins, justamente para promover e valorizar os artistas de rua. Em sua loja na Rua João Moura, eles vendem trabalhos em tela e outros suportes, "prints" e desenhos. Ali fica clara a afirmação de Ribeiro de que a arte de rua de São Paulo se distingue da de outras grandes cidades - como Nova York, Los Angeles, Londres e Berlim - por ser mais pictórica e diversificada, menos presa a movimentos sociais ou estéticos como o hip-hop e o punk.

De fato, esses artistas de 20 a 45 anos de idade não seguem uma tendência única e têm origens - de motoboys a publicitários, de autodidatas a professores - bem diversas. Em comum, naturalmente, têm a urgência de produzir uma comunicação ágil, que capture a atenção do cidadão que passa a pé ou dentro de carros e ônibus, daí a importância da dimensão e da estilização em sua linguagem. Esse desafio é radicalmente moderno, urbano, e ecoa artistas que falaram sobre essa necessidade como Baudelaire e Delacroix, o pintor francês que dizia: "Se você não é bastante hábil para fazer um croqui de um homem que se atira pela janela, durante o tempo que ele leva para cair do quarto andar ao solo, você nunca poderá produzir grandes quadros."

Outro ponto em comum é que esses artistas de rua reagem à cidade não apenas de forma violenta, como se devolvessem a hostilidade, mas numa curiosa mescla de agressividade com lirismo. É comum ver figuras que são meio corpos meio máquinas, caveiras que vertem lágrimas, meninas delicadas que mostram facas, rostos caricaturizados e ao mesmo tempo convidativos. Ou ver tudo isso ao mesmo tempo num grande muro, como uma obra coletiva, um mural que passa sem dificuldade de um estilo para outro.

Embora haja artistas que trabalham com formas mais abstratas, a maioria se dedica à figura, especialmente à figura humana. Mas, com ainda maior intensidade do que os "comics", eles não significam um retorno ao figurativismo tradicional, em que forma e fundo se distinguiam por uma hierarquia e o detalhismo era responsável pela ilusão de realidade. Todos buscam incorporar erros - tintas que escorrem, acidentes da própria superfície - e dialogar com o ambiente; são traços que também definem sua modernidade.

O psicólogo Sérgio Poato, organizador de um dos raros estudos sobre a arte de rua contemporânea da cidade, o livro Graffiti na Cidade de São Paulo (2006, esgotado nas livrarias), do Laboratório do Inconsciente da USP, define: "No que se refere aos estilos, o grafite brasileiro é mais colorido, solto, livre e se funde com diversas tendências artísticas."

Alguns estilos, porém, aparecem mais do que outros, em termos de influência histórica. A pop art e o surrealismo talvez sejam os mais freqüentes. A linguagem direta e serializada do pop, em diálogo intenso com as imagens da mídia, como os desenhos animados, nos é remetida o tempo todo. O surrealismo e seus desdobramentos "psicodélicos" nas capas dos discos de rock dos anos 60 e 70, como o Sargent Peppers dos Beatles e Pink Floyd The Wall (VÍDEO ABAIXO) , são referências claras. Há também recursos que lembram o muralismo mexicano e o expressionismo abstrato americano. Mas todos raramente surgem como fontes primárias.

Em realidade, esse caldo de influências chega até eles depois de cozinhados de vários modos desde os anos 90. As fontes mais imediatas foram as histórias em quadrinhos e as ilustrações, os trabalhos gráficos. Os artistas de rua absorveram especialmente as HQs alternativas - apesar de nomes consagrados como Will Eisner e Frank Miller também servirem de inspiração - e os mangás, os quadrinhos japoneses atualmente cultivados pelos adolescentes do mundo inteiro. E têm uma ligação muito forte com o mundo dos desenhos animados, dos cartuns, das caricaturas e das tatuagens, o qual faz parte da cultura do skate e de outros esportes urbanos. Esse universo de imagens pop ou kitsch é que a maioria dos grafiteiros manobra, acrescentando um toque irônico ou dramático.

Não é difícil, por esses aspectos, entender por que Osgemeos se tornaram o maior sucesso entre os grafiteiros recentes. Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, de 32 anos, sabem trabalhar muito bem com as escalas. No bairro onde cresceram, o Glicério, em ruas como a Justo Azambuja e a Lavapés, criaram seus personagens com traços muito simples e áreas definidas de cor, como que nascidos e ampliados de uma tirinha cômica. O mesmo fez Nina, mulher de Otávio, com suas meninas que parecem criadas para um adesivo infantil, um "sticker" colorido, só que com um teor de tristeza. Não é a única. Tikka, Akemi e Ya também espalharam figuras assim pela cidade.

Mas a arte de rua paulistana é muito mais rica do que isso. Na Liberdade, por exemplo, é possível ver o trabalho de nomes como Nunca, Titi Freak e Whip. Nunca usa figuras que se parecem com índios urbanos, de semblantes meio bravos meio chorosos, como o que se vê no Viaduto Condessa de São Joaquim. Titi Freak é seguramente um dos melhores artistas de rua de São Paulo. Seus retratos têm traços muito estilosos, de exímio desenhista, que são banhados ou "sujados" por cores como o roxo e o violeta. Há movimento, força e harmonia em sua pintura rupestre, assim como na de seu irmão, Whip, embora este seja mais preso à fisionomia dos personagens de mangá. Outros que fazem retratos entre líricos e rebeldes são Bugre e Derf.

Outro talento que se destaca é o de Onesto, que recentemente grafitou uns tapumes na Rua da Consolação com seus personagens de cabelos e costeletas chamativos, entre os quais cria um jogo de proporção, usando sempre cores vivas. Poucas linhas são necessárias para ele criar seu humor estranho. Nome a memorizar é também o de Speto, um dos destaques do Beco do Grafite (travessa da Rua Harmonia), com seus fantasmas, diabinhos e menininhas, igualmente resolvidos em poucas e espessas linhas. No mesmo beco está a mulher nua deitada de Paulo Ito, exemplo de bom desenho adaptado ao suporte disponível.

Um dos melhores murais coletivos é o do paredão que se vê da Avenida Sumaré, pouco antes da curva que desemboca na Henrique Schaumann, que fica abaixo do Instituto Goethe. Dele participam os três melhores artistas de rua abstratos, Highraff, Boleta e Zezão. Highraff (pronuncia-se "raigref") faz formas que lembram gotas que se ramificam de uma esfera central como se fossem um bicho em metamorfose. Boleta cria composições mais caóticas, com formas que se entrelaçam como em tatoos. Zezão ficou famoso por pintar bueiros e até a margem do Tietê com sua marca - volutas quase góticas de um azul bem vivo, as quais sugerem um exercício de delicadeza diante da feiúra urbana.

Esses e outros artistas já não se bastam em intervenções urbanas com spray e stencil, como se vê na Choque Cultural. Ramón Martins mistura aquarela à apurada técnica de usar o spray, no qual põe agulhas para refinar o traço. PJota faz pinturas com inscrições que fazem pensar em Cy Twombly, assim como Daniel Melim ecoa Rauschenberg e Carlos Dias, De Kooning - três nomes do expressionismo abstrato americano. Boleta faz pinturas em que cola objetos como bolas de bilhar, Zezão trabalha sobre recortes de lona, Presto faz minipinturas de madeira. E assim por diante.

Pouco a pouco, a arte de rua deixa de ser devedora de estilos anteriores e passa a credora de novos caminhos, dentro ou fora de quatro paredes. Mesmo que o conceito de vanguarda das bienais seja outro, eles são o novo agora.


Pink Floyd - Outside The Wall


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OS GÊMEOS
Gustavo e Otávio Pandolfo



Grafiteiros


A dupla de grafiteiros consagrados internacionalmente é representante de uma arte tão imaginativa quanto polêmica, que tem forte interferência na paisagem urbana.


Os gêmeos Gustavo e Otávio mergulharam nessa arte de rua na onda do movimento hip hop que chegou a São Paulo nos anos 80 e com seu trabalho eles colocaram o país no topo da arte urbana contemporânea.


Ainda na infância, em São Paulo, os dois irmãos já demonstravam habilidade com os desenhos, que, aos poucos, saíram do papel e foram parar em muros, viadutos, ônibus, trens, e, finalmente, em galerias de arte e museus no Brasil e no exterior.
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ACOMPANHE REPORTAGEM E ENTREVISTA
DO PROGRAMA RODA VIVA - 14 DE DEZEMBRO DE 2009 - TV CULTURA
(CLIQUE TRECHOS NO MENU À DIREITA DA TELA)


NO ACERVO ARTE BRASILIS, LEIA:
02/09/2008
http://artebrasilis2.blog.terra.com.br/grafiteiros_em_belo_horizonte
28/11/2007
http://artebrasilis.blog.terra.com.br/democracia_da_arte_graffiti


ABAIXO: GRAFITE EM BANCA DE JORNAL - LOCAL: PROXIMIDADE DO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO - ESTAÇÃO VERGUEIRO DO METRÔ - CAPTURA: MAIO DE 2009

DESCRIÇÃO: FIGURA LONGILÍNEA, PÁLIDA, SEGURANDO UMA ABELHA.
ASSOCIADA A UMA MÁSCARA TRIBAL E DIZERES.

A ABELHA PERTENCIA AO GRAFITE ANTERIOR, QUE FOI INCORPORADO.